sexta-feira, 19 de março de 2010

Maratona de Banca - Março (Histórico)

Meu Amor Selvagem - Elizabeth Lane





Ficha do Livro:


Título: Meu Amor Selvagem
Original: My Lord Savage
Autora: Elizabeth Lane
Editora: Nova Cultural
Coleção: Clássicos Históricos Especial 139
Ano: 2001
Tipo: de Banca
Linha do Tempo: Histórico




Sinopse:

ELE ESTAVA SOZINHO NUMA TERRA ONDE O CHAMAVEM DE “SELVAGEM”...
Cornualha, 1573
 Depois de ter sido levado de sua tribo, Lontra Negra, cacique lenape, jurou que voltaria para seus filhos, sua aldeia, sua vida. Não havia nada de louvável nos domínios dos homens brancos... exceto uma dádiva, uma mulher generosa e corajosa: Rowena, que deu-lhe força e esperança... e despertou sua capacidade de amar.

Rowena Thornhill dividia seu tempo entre os estudos e os deveres familiares, e não sabia nada sobre paixão. Mas quando seu destino cruzou com o do “seu” prisioneiro, Lontra Negra, sua respeitável vida inglesa transformou-se num turbilhão de perigo e desejo.

Lontra Negra foi arrancado de sua aldeia, depois de ver sua esposa ser morta pelos homens brancos, e acordou preso num navio. Ele não sabe o que aconteceu com os filhos e com o resto da tribo, e jurou se libertar e voltar para eles.

Rowena é uma mulher de uns 30 anos, que perdeu a esperança de arrumar um casamento satisfatório, e que vive com o pai excêntrico, antigo professor de universidade, que adora estudar criaturas diferentes. E sua mais nova “criatura” é o selvagem que ele comprou no mercado no vilarejo onde fica o solar onde moram.

Lontra Negra, depois de passar diversas semanas maltratado no navio, e passando fome, ainda é dopado para poder ser transportado até a casa do professor, e trancado no porão, até que o professor consiga “domá-lo” para poder estudá-lo. Rowena não fica nada feliz com o pai, e deixa isso bem claro.

E assim começa a história.

Gostei muito dela, adorei ter escolhido esse livro para a Maratona. Adorei os dois heróis. Ela não é uma donzela indefesa a espera do seu salvador, apesar de morar e obedecer ao pai (na maioria das vezes), e de não esperar por um casamento, ela não é estúpida, tem voz ativa e opinião própria. Logo no começo do livro, podemos ver que ela se sente presa...
Enquanto observava a ave, Rowena foi invadida por uma ansiedade tão poderosa que seus lábios entreabriram-se em silenciosa resposta. As paredes da velha casa pareciam fechar-se a sua volta, sufocando-a como grades de uma prisão. As pregas pesadas da saia e a rígida compressão do espartilho pareciam derrubá-la como o peso de correntes de ferro. Até mesmo sua mente racional, endurecida por uma vida inteira de sensatez, a impelia a seguir o grito de seu coração: arrebentar as amarras da casa, das roupas, da razão, abrir suas asas e voar como o albatroz sobre o oceano, rumo a lugares que ela jamais veria em toda a sua vida: lugares cujos nomes soavam como músicas: China, Zanzibar, Constantinopla, América...
Nesse parágrafo já conseguimos notar como funciona o coração dela, cheio de amarras com as responsabilidades que tem, e que não a deixam ser livre, ou no mínimo quem quer ser.

Lontra Negra não é muito diferente, a autora consegue captar muito bem os sentimentos dele, ao ser aprisionado, ao perder a liberdade que ele tanto preza, sem poder sentir o vento, o sol...
Lontra Negra jazia no buraco fétido e escuro, onde os homens brancos haviam-no jogado. Ensangüentados, os pulsos e os tornozelos torciam-se nas algemas de ferro que o mantinham prisioneiro. Apesar de ter sido sordidamente espancado, de ter as costelas quebradas e os olhos inchados, ele não sentia dor. Estava acima da dor, acima do medo e, até mesmo, acima do sofrimento. A única emoção que lhe restara era a fúria.
Uma fúria capaz de matar qualquer um que estivesse entre ele e a liberdade, inclusive uma mulher. O personagem dele também foi lindamente desenvolvido, porque ele tem muita raiva dos brancos, raiva não sem motivo, mas ao mesmo tempo, nós vemos como ele é inteligente, e também amoroso (quando se lembra dos filhos). O aprendizado dele é rápido. É muito bom ver as coisas por alguém que não conhece nada que para nós seria normal, e comum.

Outra coisa muito interessante nesse livro, Lontra Negra não fala inglês milagrosamente. Ele nunca tinha tido contato com os homens brancos, então a comunicação no começo é muito complicada. E mesmo assim, você consegue sentir a aproximação do casal.

Outra coisa magnífica nesse livro é como foi abordado o tema dos “selvagens”. No começo, pelos olhos do professor, parece que ele é apenas um animal, uma criatura, realmente selvagem, sem condições de aprendizado, apenas de “adestramento”. Mas ao mesmo tempo, graças a Rowena, que questiona a todo o momento o modo de tratamento do prisioneiro, nós o vemos como um homem, de uma cultura diferente, mas um ser humano.

O romance talvez pudesse ter sido melhor desenvolvido, mas não é em nenhum momento fraco. Não é um livro com cenas picantes, então não espere isso. Mas tem muitas emoções, sentimentos bem trabalhados. Tem ação, porque além de estar preso em uma terra distante, tem um vilão a dar as caras na história. Tem drama. Enfim, como disse, adorei o livro. Adorei minha escolha para o mês de março, e estou pronta para o próximo mês!!!!

Recomendo o livro!

Ah! Essa autora tem diversos outros livros onde o personagem é índio, para quem gosta...

Nota: 4 (de 5)

Capa Original: 
Juliana

6 comentários:

Diana Bitten disse...

Porque será que em romances de banca os termos e os nomes tem que ser tão esquisitos? Lontra Negra? rsrsr

Em outro livro tinha: cabelos pretos como o azeviche... bom, não sei, mas para mim as vezes isso é meio cafona.

Um abraço e até mês que vem!

Carol disse...

Diana

Se o personagem é índio ele tem que ter nome de índio né?

E a associação de aspectos físicos a algo mais substantivo é recorrente em diversos autores.

Bjos

Juliana
Esse livro está na minha pilha de leitura há um tempinho, vou subi-lo.

Juliana disse...

Alguém sabe como se responde a um comentário, sem ser por comentário? (eu sou nova nessas coisas de blog)

Muito obrigada pelos comentários.

Diana, como a Carol disse, o nome desse personagem nos é estranho, mas não é estranho para a situação, uma vez que ele é um índio, e se você já leu livros onde os personagens são índios, já deve ter notado que todos os nomes são "estranhos"... Mas eu acho muito legal...

Carol, vale a pena subir ele, é muito fofo...

Bia Carvalho disse...

Olá,
Estou aqui para apresentar meu novo blog especializado em Suspenses Românticos, tanto de banca quanto de livraria.

Amor, Mistério e Sangue

Espero que goste!

Bjs
Bia

Diana Bitten disse...

Ou eu não me fiz muito clara, ou eu passei a idéia errada ou a nossa idéia de cafonice é diferente.

Porém isso não me impede de gostar e ler bastante! Porém não me impede mais ainda de criticar tb.

Abraços a todas!

Fabi Abrams disse...

Eu tenho este livro e adorei, abordou de forma bem diferente a dinâmica indio/mulher branca. Mas eu sou suspeita para falar, porque AMO romances onde o mocinho é indio...

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