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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Kinley MacGregor's Coração Pirata

“[...] é um desafio. Eu terei seu coração antes que você possua meu corpo.” (pág 61)


Ficha do Livro: 

Título: Coração Pirata
Original: Master of Seduction
Autor: Kinley MacGregor
Editora: Nova Cultural
Ano: 2000/2006
Tipo: de banca
Linha do Tempo: histórico
Protagonistas: Jack Rhys e Lori Dupree


Sinopse:

Jack nunca havia se deparado com um navio que não pudesse abordar ou com uma mulher que não se rendesse aos seus encantos... até se defrontar com Lorelei Dupree, que era tão graciosa quanto atrevida, a ponto de ameaçar levá-lo à justiça.
Lorelei tinha seus motivos para querer acabar com a arrogância de Jack Rhys, o notório pirata de quem seu noivo desejava se vingar. Mas quando Jack escapou à armadilha que ela cuidadosamente lhe preparara, Lorelei viu-se arrebatada pelo irresistível poder de sedução daquele homem. Agora Jack teria de enfrentar o único perigo para o qual não estava preparado, pois embora tivesse conquistado inúmeros corações, ele jamais imaginara encontrar uma mulher capaz de sem o menor esforço, roubar o seu. 

Lori é uma mulher a frente de seu tempo. Tem opinião própria e não tem medo de dividi-la com ninguém. Ela acredita que pode dominar qualquer homem à sua vontade, e até então foi exatamente assim que aconteceu. Um tanto (ou muito) mimada pelo pai. 

Jack é mais conhecido como Terrível Jack Rhys (em inglês, Black Jack), o pirata mais terrível e cruel a singrar os sete mares. Mas não é só isso, as mulheres que já cruzaram seu caminho tem outra coisa a dizer: o homem mais viril que já conheceram. 

E quando Jack e Lori se encontram, voam faíscas para todos os lados (em ambos primeiros encontros). No começo, ela detesta ele, e tudo o que ele representa, ainda mais por ter sido seqüestrada para Jack poder se vingar do noivo dela, que é oficial da marinha. 

Lori não é do tipo donzela indefesa, sua língua é ferina e ela sabe o que quer, como mostra essa cena: 
- Admita, amor... Você me acha irresistível. 
- Acho você irritante, Jack Rhys. Seu camarote deve ser do tamanho de um salão de baile para acomodar você e seu ego. 
Ele explodiu em uma gargalhada, depois declarou: 
- É grande o bastante para acomodar nós três. E a minha cama... (pág 58) 
Além do mais, Lori é neta da famosa pirata Anne Boney, que a ensinou muita coisa, de como manejar uma espada a como lidar com os homens. Para quem não sabe, Anne Boney realmente existiu, e foi uma pirata, que conseguiu escapar da forca por estar grávida. 

Depois de um tempo no navio do pirata, Lori começa a conhecer o verdadeiro Jack, que é atencioso, que se preocupa com a tripulação, que tem um filho que o idolatra. Um pirata que cita Shakespeare e que cuida do bem estar dela. Afinal, ele nunca prometeu amor eterno para ela, foi sincero desde o princípio dizendo que queria levá-la para cama, e fazê-la gritar seu nome. 

Eu amei esse livro. É um dos meus livros de banca favoritos. A história é ótima, cheia de aventura e romance e comédia, com cenas muito engraçadas, além das conversas sagazes entre os personagens. Jack e Lori são apaixonantes, definitivamente não são perfeitos, mas foram feitos um para o outro. 

Coração Pirata é um livro sexy, repleto de inuendos, mas não é hot, o que eu imaginava que seria dado o clima inicial da história, e do desafio que ela propôs a Jack. Mas a leitura não perde em nada, o modo como foi escrito o romance dos dois é lindo, inclusive o final. 

Outra coisa muito legal é como mostram que as coisas nem sempre são o que parecem. Um pirata não é automaticamente mau por ser pirata, e oficiais da marinha não são automaticamente bons por representarem a lei. 

Amei e recomendo. E agora estou correndo atrás do outro livro da série, que infelizmente foi publicado em um Julia Histórico, e que não consigo encontrar nos sebos. 

Ah! E para quem não sabe, Kinley MacGregor é o pseudônimo da autora Sherrilyn Kenyon, conhecida pela sua série Dark-Hunters (que não foi publicada aqui no Brasil ainda). 


Destaques (cuidando para não citar o livro todo): Jack lendo na cabine dele (tive de me conter para não gritar). A cena da Lori pintando Jack com ele desacordado (sem maiores detalhes para não estragar a leitura) eu ri demais com essa cena. E o pedido de casamento, que foi extremamente romântico, mas com o jeito de Jack e Lori. 

Termino dizendo que gostaria de ser raptada por um pirata como Jack e levada para o navio dele. 


Série Sea Wolves

1 – Coração Pirata (Master of Seduction) – Jack Rhys e Lori Dupree 
2 – O Lobo do Mar (A Pirate of Her Own) – Morgan Drake e Serenity James 
3 – Antologia All I Want For Christmas (não publicado no Brasil) – O’Connell e Catherine (esse livro não faz parte da série, é apenas relacionado, como não li, não posso falar o quão importante ele é para a série). 




Mais uma resenha para o Desafio de Férias, promovido pela Pâm, do blog Garota It.




quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Piratas! - Celia Rees

“Tenho uma doença que está além do alcance da medicina; mesmo meu bom amigo Graham não tem cura para ela. Assim que eu chegar em terra, vou querer partir de novo. Meu lar é o navio. Minha pátria é o mar.”

Página 80



Ficha do Livro:

Título: Piratas!: as verdadeiras e memoráveis aventuras de Minerva Sharpe e Nancy Kington, mulheres piratas
Título Original: Pirates!: the true and remarkable adventures of Minerva Sharpe and Nancy Kingston, female pirates
Autora: Celia Rees
Editora: Cia. Das Letras
Ano: 2003/2007
Tipo: livraria
Linha do Tempo: Histórico
Protagonistas: Nancy e Minerva

Sinopse:

Ambientado no início do século XVIII, a protagonista é a jovem inglesa Nancy, herdeira de uma fazenda de produção de açúcar na Jamaica. Depois da morte do pai, Nancy, que vive em Bristol, é obrigada pelos irmãos a viver na fazenda e lá se torna amiga de uma escrava negra de sua idade, Minerva, a quem salva de ser estuprada pelo cruel capataz da fazenda. Obrigadas a fugir, as duas acabam se integrando à tripulação de um navio pirata, onde passam a viver como "marujas".

A jornada de Nancy e Minerva na pirataria as leva das Antilhas aos Estados Unidos e à África, numa seqüência emocionante de aventuras que incluem saques a navios mercantes, confrontos entre navios-piratas e enfrentamentos com a Marinha inglesa. Todos os aspectos da vida dos piratas são apresentados com cores vivas, e ao lado de Nancy e Minerva o leitor participa de um duelo, sofre os horrores de uma cerimônia de iniciação de novatos e naufraga em alto-mar.

Em meio a tudo isso, Nancy vive um dilema, dividida entre a lealdade à amiga - que a mantém na vida de pirata - e o amor por um jovem oficial da Marinha inglesa, ex-companheiro de infância a quem Nancy devota um amor verdadeiro e que representa valores completamente opostos aos da pirataria. 

Nancy é uma menina inglesa no século XVIII, órfã de mãe. E quando o pai morre é mandada para a fazenda da família na Jamaica. Lá ela faz amizade com Minerva, que tem sua idade mas é uma escrava. Seus irmãos querem casá-la com o brasileiro Bartholomeu, e no mesmo dia que descobre isso, para salvar sua amiga Minerva, ela mata o capataz da fazenda.
Só resta uma coisa para elas fazerem: fugir o mais depressa possível para o mais longe possível.

Com a ajuda de outros escravos da fazenda, Nancy e Minerva chegam num acampamento de escravos fugidos, e são “adotadas” por eles. Mas o perigo ainda estava perto, então surge uma oportunidade única, um navio pirata está fazendo negócios com o grupo de ex-escravos, e as duas garotas mais do que depressa se candidatam a se tornar piratas.

E eis que começa a aventura de duas mulheres piratas.

O livro é muito interessante, contado inteiramente do ponto de vista da Nancy, por vezes sabemos muito pouco do que está acontecendo. Mas a descrição é super detalhada, e a autora perece ter realmente feito uma pesquisa intensiva sobre pirataria.
Achei muito linda a amizade da Nancy com a Minerva. As duas vieram de realidades super diferentes, Nancy uma menina rica da Inglaterra, e Minerva uma pobre escrava que aprendeu que não deve falar de modo algum e que deve adivinhar o que “seus senhores” desejam. E elas se tornam grandes amigas:


“Eu escuto o que você diz, mas não faz nenhuma diferença. Quando você vai? Eu também vou.” Página 149
Uma coisa que achei muito chato foi o papel do romance. Estava esperando mais. Já no começo do livro conhecemos William, que era então o melhor amigo da Nancy. Quando ele aparece novamente, já mais crescido, assim como ela, os dois começam um romance – se é que pode ser chamado assim. Mas então Nancy é mandada para a Jamaica e eles perdem o contato. E ela fica o livro inteiro pensando no William, mas romance que é bom? Nada. E poderia ter sido trabalhado de uma forma tão interessante, por ela ser uma pirata e ele um oficial da Marinha.
O vilão oficial da história é um brasileiro. Algo muito diferente do que eu esperava. É muito raro ler em livros estrangeiros algum personagem brasileiro, e neste o vilão é brasileiro, e fala português, é rico, fazendeiro, e além de ter fazenda na Jamaica, possui uma enorme propriedade em Manaus. Dá para acreditar? Ela nem pegou cidades mais óbvias ou conhecidas como Rio de Janeiro ou Salvador (para época).
Enfim ele é muito mau. Mau mesmo. E ele faz de tudo para ter ela.
Então a história retrata mais a fuga dela desse Bartholomeu, do que um romance com William.
Mas é mais do que isso, mostra o crescimento destes personagens, fala de aventura, coisas novas e amizades, principalmente amizades.
“Aventura e descoberta. Essa era a vida para mim. Não seria esplêndido? Robert não concordava? Ele sacudia a cabeça, e seus olhos tristes e escuros assumiam uma expressão de pena e pesar: uma vida dessas não era para mim. Eu era menina. De qualquer forma, piratas eram homens ateus e estavam todos destinados a ir para o inferno. Era melhor eu ler o Progresso do peregrino. Eu continuava a ler numa atitude desafiadora, levantando meu livro para que ele não pudesse ver meu rosto. Estava vermelha e ameaçava chorar. Até então eu não tinha percebido que ser uma menina seria uma desvantagem tão grave.” Página 22
Enfim, a narração é ótima. O livro é muito bom. Mas eu esperava mais. Teve horas que minha paciência se esgotava, onde parecia mais descrição do navio ou de um ataque do que a história se desenrolando. Ela usou muito tempo para coisas fúteis, e faltou tempo para concluir alguns pontos de melhor forma. O fim é decepcionante, como se ela estivesse deixando uma brecha para fazer uma continuação.

Mas acho que vale a pena ler o livro, se você gosta de personagens femininas fortes, piratas e aventura.

E assim termino com uma citação que achei maravilhosa, da querida Phillys, na página 181:
“Não tema o amanhã antes que hoje tenha terminado”.




Essa resenha foi feita para o Desafio de Férias, promovido pelo blog da Garota It. Já li outros dois, que só estão esperando que eu escreva a resenha.